
“Eu acho que se o trauma pode ser passado de geração em geração, valores também podem. Então esse prêmio é para aqueles que estão resistindo com seus valores em momentos difíceis”, declarou Wagner Moura emocionado, no palco do luxuoso hotel The Beverly Hilton, em Los Angeles. Na sua mão, o primeiro Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama que pertence a um brasileiro.
Minutos antes, era Kleber Mendonça Filho bradando ao microfone sobre a importância de olhar para o cinema nesse momento. “Jovens diretores da América, façam filmes!”, encerrou o discurso breve ao receber o troféu de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa junto com sua esposa e produtora do filme, Emilie Lesclaux.
Essas cenas inspiradoras, de dois artistas latino-americanos sob os holofotes de Hollywood, era o que “O Agente Secreto” precisava para seguir adiante na corrida pelas premiações que acontecem a seguir no rumo da última e mais celebrada, a 98ª edição do Oscar, que está marcada para o dia 15 de março.
Mesmo que amplamente especulada como favorita pela imprensa internacional, a vitória de Wagner Moura ainda convivia com o suspense em torno da celebração de “Pecadores”, filme de Ryan Coogler estrelado por Michael B. Jordan. O filme norte-americano, porém, acabou vencendo apenas duas das sete indicações: Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Conquista em Bilheteria. A favor da vitória também houve o fato de que os concorrentes mais fortes da temporada estavam na categoria de Melhor Ator em Comédia, como Timothée Chalamet (vencedor), Leonardo DiCaprio e Ethan Hawke.
Nas últimas semanas, a presença de Moura entre as apostas para Melhor Ator no Oscar estava ameaçada por conta da sua ausência na pré-lista do Bafta (Academia Britânica) e entre os indicados ao prêmio do SAG (Sindicato dos Atores de Hollywood), chegando a ficar de fora para a súbita ascensão de Jesse Plemons (excelente em “Bugonia”). Sua conquista na madrugada desta segunda-feira, 12, no entanto, renova o combustível desse trajeto.
Alinhado a uma vitória que “Ainda Estou Aqui” não teve em 2025 na categoria internacional ao perder para “Emília Perez”, o filme pernambucano avança de forma surpreendente na busca por categorias que nem estavam no radar até então, como Melhor Roteiro Original, Melhor Direção de Elenco e até mesmo Melhor Direção.
Ao desbancar os favoritos “Foi Apenas um Acidente”, de Jafar Panahi (Irã) e “Valor Sentimental”, de Joachim Trier (Noruega), a obra lança a chance dos votantes enxergarem o quanto essa história tão brasileira e “cheia de pirraça” se relaciona com o atrito de Donald Trump contra a soberania da América Latina.



