A saúde pública brasileira pode estar prestes a receber um reforço significativo em sua estratégia de imunização. A deputada federal Rosana Valle (PL-SP) protocolou recentemente um projeto de lei que visa garantir a incorporação da vacina contra a herpes-zóster no Programa Nacional de Imunizações (PNI). A iniciativa, que tramita no Congresso Nacional, busca ampliar o acesso da população a este imunizante, considerado essencial para a prevenção de uma doença que afeta milhões e pode gerar complicações graves, especialmente em idosos e pessoas com imunidade comprometida.
A Proposta Legislativa em Destaque
O cerne da proposta legislativa apresentada pela deputada Rosana Valle reside na obrigatoriedade de o governo federal incluir a vacina específica contra o herpes-zóster no rol de imunizantes oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, a vacina não faz parte do calendário vacinal de rotina, sendo disponibilizada apenas na rede particular ou em campanhas pontuais, limitando o acesso a uma parcela restrita da população. A aprovação do projeto de lei representaria um avanço crucial na política de prevenção de doenças em âmbito nacional.
Compreendendo a Herpes-Zóster e Seus Riscos
Conhecida popularmente como 'cobreiro', a herpes-zóster é uma doença causada pela reativação do vírus Varicella-Zoster, o mesmo que provoca a catapora (varicela). Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo e pode ser reativado anos depois, manifestando-se como uma erupção cutânea dolorosa, geralmente em apenas um lado do corpo. Os sintomas incluem dor intensa, coceira, formigamento e o surgimento de bolhas. Suas complicações podem ser severas, como a neuralgia pós-herpética, uma dor crônica e debilitante que pode persistir por meses ou anos após o desaparecimento das lesões, além de problemas oculares, auditivos e neurológicos, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
O Papel Estratégico do Programa Nacional de Imunizações
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) é reconhecido mundialmente como um dos mais bem-sucedidos programas de saúde pública, responsável pela erradicação ou controle de diversas doenças infecciosas no Brasil. A inclusão de uma nova vacina no PNI não é uma decisão trivial, envolvendo rigorosas análises de custo-benefício, epidemiologia e impacto social. No entanto, o histórico da herpes-zóster e suas complicações justificam a discussão sobre sua incorporação, visando proteger grupos vulneráveis e fortalecer a rede de prevenção do país, que já oferece uma ampla gama de vacinas essenciais à população.
Impacto Social e Econômico da Medida
A disponibilização universal da vacina contra herpes-zóster pelo SUS traria benefícios múltiplos. Socialmente, reduziria o sofrimento de milhares de pessoas, especialmente idosos, que frequentemente enfrentam a dor crônica da neuralgia pós-herpética, melhorando sua autonomia e bem-estar. Economicamente, a prevenção da doença e de suas complicações resultaria em uma diminuição significativa dos gastos com tratamentos médicos, internações hospitalares e medicamentos de alto custo, desafogando o sistema de saúde. A medida representa um investimento em saúde preventiva que se traduziria em menor ônus para o Estado e maior qualidade de vida para os cidadãos.
A tramitação do projeto de lei da deputada Rosana Valle marca um passo importante na discussão sobre a expansão do acesso a imunizantes cruciais para a saúde da população. Caso aprovada, a inclusão da vacina contra herpes-zóster no PNI consolidaria ainda mais o compromisso do Brasil com a medicina preventiva, protegendo cidadãos de uma doença dolorosa e com potencial de sequelas duradouras, e reforçando a capacidade do SUS em oferecer cuidados integrais e de qualidade.
Fonte: https://redir.folha.com.br



