O Clube do Remo deu o pontapé inicial na Série A do Campeonato Brasileiro envolto em uma atmosfera de mudanças significativas. Às vésperas de sua estreia na elite nacional, uma competição da qual estava ausente desde 1994, o Leão Azul viu seu então executivo de futebol, Marcos Braz, deixar o cargo após uma reunião com o presidente Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão. A notícia reverberou nas redes sociais, gerando questionamentos dos torcedores sobre o impacto da saída, divisões sobre a responsabilidade da diretoria e incertezas quanto à nova configuração nos bastidores do clube paraense.
O Legado de Marcos Braz: Contratações e Prestígio Midiático
Ao analisar a gestão de Marcos Braz, o jornalista Carlos Ferreira, do Grupo Liberal, apontou para o cumprimento de uma de suas principais missões: as contratações. Segundo Ferreira, o prestígio do executivo foi um fator determinante, citando o caso do técnico Osorio como exemplo. A efetividade dessas aquisições, contudo, será avaliada pelo tempo. Para além do campo, Mathaus Pauxis, também do Grupo Liberal, destacou o impacto midiático de Braz, que transformou o Remo, para muitos fora do estado, no 'Remo do Marcos Braz'. Essa visibilidade ímpar gerou um 'hype' importante para o marketing e a comunicação do clube, projetando-o nacionalmente como um 'queridinho do Brasil' devido à fama do profissional.
Entre a Liderança Carismática e a Visibilidade Externa
O perfil de Marcos Braz, com seu histórico vitorioso e grande conhecimento do futebol, conferia ao Remo uma notoriedade particular. Sua presença era inquestionável na atração de atenção e na geração de mídia, elementos que contribuíram para um posicionamento diferenciado do clube em âmbito nacional. O estilo 'boleirão' e a postura de 'fala grosso', de acordo com os jornalistas, eram marcas registradas que garantiam não apenas autoridade interna, mas também uma projeção externa singular.
O Vácuo de Autoridade e a Chegada de Luís Vagner Vivian
A lacuna deixada pela saída de Braz não se restringe apenas à sua visibilidade, mas também à autoridade que exercia. Carlos Ferreira sugere uma potencial 'perda de autoridade' nos bastidores, que o novo executivo, Luís Vagner Vivian, terá o desafio de preencher. Vivian, descrito como um 'excelente executivo de logística', representa uma transição para um perfil de gestão diferente. A expectativa é que ele mantenha a funcionalidade dos departamentos, a disciplina e a conduta de todos, marcando uma fase possivelmente 'mais política' e menos 'garganta', como caracterizava Braz.
Uma Nova Abordagem: Foco na Logística e Organização
A chegada de Luís Vagner Vivian sinaliza uma mudança na tônica da gestão do futebol. Com um perfil menos voltado para a mídia e mais para a organização interna, Vivian é reconhecido por sua expertise na parte 'chata' do futebol: a logística, o entendimento da CBF e das complexidades da Série A. Embora sua figura não gere o mesmo 'hype' midiático de Braz, sua experiência nessas áreas cruciais é vista como um contraponto importante para a estrutura do clube. Internamente, espera-se que sua atuação diminua a ausência do antecessor, oferecendo um foco renovado em aspectos operacionais e de planejamento.
Além do Individual: O Esforço Coletivo no Acesso à Série A
Mathaus Pauxis faz uma ponderação importante sobre o papel de Marcos Braz no acesso do Remo à Série A. Embora reconheça sua relevância, Pauxis discorda da ideia de que o feito se deva exclusivamente a ele. O jornalista ressalta que outros elementos foram fundamentais, como a chegada do técnico Guto Ferreira, que tirou o clube da 12ª posição, a performance de jogadores como Pedro Rocha e o goleiro Marcelo Rangel, além do engajamento da diretoria e de toda a equipe. O acesso, portanto, foi o resultado de um esforço coletivo e não de uma única figura.
O Conhecimento da Série A e os Desafios do Leão Azul
Um dos pontos mais críticos levantados por Pauxis é a perda de um conhecimento aprofundado da Série A com a saída de Braz. Segundo o jornalista, ninguém no futebol paraense, nos últimos 20 ou 25 anos, possuía um entendimento tão vasto sobre as nuances e transformações da competição quanto Marcos Braz. Esse capital intelectual, adquirido por sua vivência na elite do futebol brasileiro, é algo que o Remo não dispõe neste momento. Com Vivian, o clube ganha em logística e organização, mas se vê diante do desafio de compensar a ausência de uma figura com essa bagagem específica da Série A, enquanto navega pelas altas expectativas e responsabilidades de seu retorno à principal vitrine do futebol nacional.
Fonte: https://www.oliberal.com



